Váldima Fogaça: “Escrever é mais do que necessidade: é escolha, paixão e identidade”

A escritora Váldima Fogaça é apaixonada pelas letras. Nutre com elas uma relação laboratorial e ao mesmo tempo de entrega. Nesta entrevista, ela fala sobre o processo criativo e a estreita relação com os leitores. Confira:

Você escreve romances, poemas… é uma escritora que transita por vários estilos. Como é esse processo criativo?

Minha escrita acontece de forma muito intuitiva. Os poemas surgem quase diariamente, de maneira espontânea, como uma necessidade vital. Escrever faz parte da minha rotina e do meu equilíbrio. Já o romance exige outro tempo: é um processo mais complexo e longo. A ideia nasce, passo horas escrevendo intensamente, depois faço pausas, deixo o texto repousar e retorno a ele com outro olhar. É um movimento de ir e vir que respeita o amadurecimento da história.

Costuma-se dizer que o livro não transforma apenas o leitor, mas também o escritor. Você percebe mudanças em quem você era antes e depois da escrita de cada obra?

Sem dúvida. Cada obra representa um processo profundo de construção pessoal. A escrita me amadureceu muito enquanto pessoa e enquanto autora. É libertadora, reveladora e, ao mesmo tempo, desafiadora. Ao escrever, especialmente romances como Maria Antonieta, sinto que me torno mais consciente, mais sensível e mais plena.

Escritores se dedicam à literatura por motivações diversas. O que levou Váldima Fogaça a se entregar ao universo das letras?

No início, a escrita foi uma forma de exteriorizar minhas dores, dúvidas e inquietações. Com o tempo, esse impulso se transformou em encantamento. Passei a admirar profundamente o poder da palavra, da leitura e da escrita como forma de expressão e transformação. Hoje, escrever é mais do que necessidade: é escolha, paixão e identidade.

É visível a satisfação que você sente no contato com os leitores. Existe alguma experiência marcante que gostaria de compartilhar?

Sim, especialmente com o romance Maria Antonieta. Um leitor passou a fotografar trechos do livro e compartilhá-los com amigos, usando a história da personagem como fonte de motivação. Ele apresenta a trajetória de superação de Maria Antonieta a várias pessoas, e isso me emociona profundamente. Perceber que a obra ultrapassa o papel e alcança outras vidas confirma o sentido da minha escrita.

19/3/26