“Um sonho, uma briga, uma fofoca, tudo pode virar texto”



Márnei Consul é licenciado em Letras – Português / Inglês pós-graduado em Educação em Direitos Humanos, Educação para a Diversidade, Educação Ambiental e Gestão Escolar: Orientação e Supervisão. É membro do Grêmio Literário Patrulhense, entidade de Santo Antônio da Patrulha/RS, sua terra natal. Escreve contos, poemas e romances. Pela editora Pragmatha, publica obras desde 2009. Para ele, a literatura é um recorte da realidade, no qual, nem sempre, a sanidade prevalece. Nesta entrevista, ele fala sobre seu labor na área da escrita criativa, planos e percepções.

Você é um escritor/autor bastante ativo, com dez livros publicados. Qual o segredo para uma produção tão fértil?
Márnei Consul: Ficar atento ao dia a dia e enxergar nas pequenas coisas possibilidades de escrita. Um sonho, uma briga, uma fofoca, tudo pode virar texto.

Você se dedica tanto ao conto quanto ao romance e à poesia. Quais os desafios e prazeres de cada gênero para você?
Márnei Consul: Conto é minha espécie narrativa favorita. Ela reflete a sociedade atual: dinâmica, ligeira. Não vejo dificuldades em escrever contos. Escrevo poemas quase que sob demanda, para coletâneas, por exemplo. Nunca foi meu gênero preferido. Quanto aos romances, fiz três que, no fim das contas, se tornaram um. O difícil neste gênero é ter paciência para não publicá-lo em seguida, e sim lê-lo várias vezes para encontrar a forma perfeita.

Ao longo desses anos, todos escrevendo e publicando, você percebe diferenças no seu estilo? Você diria que amadureceu, como escritor?
Márnei Consul: Amadureci. Na verdade, não consigo ler meus primeiros livros. Tenho um pouco de vergonha deles. Hoje, tenho mais paciência para a reescrita até que a obra fique aprazível.

Por muitos anos, você se dedicou também ao ensino de literatura em escola. Você é otimista quanto ao futuro da literatura no Brasil, considerando a realidade em sala de aula?
Márnei Consul: Infelizmente, não sou. Alunos, antes, já não queriam ler ou escrever literariamente. Agora, com redução de carga horária da disciplina, isso será pior.

Você é um dos escritores mais ativos do Caderno Literário. Ter um prazo auxilia no seu processo de escrita? Como é sua rotina como escritor? Tem algum horário preferido para escrever, ou local?
Márnei Consul: Gosto de prazos. Isso torna a escrita profissional, um trabalho. Não sigo rotina: escrevo quando tenho boas ideias, seja onde for. Às vezes, tomo notas no celular para, depois no computador, espichá-las.

Escrever, para você, é mais transpiração ou tem muito a ver com inspiração?
Márnei Consul: Boa pergunta… Escrita pode ocorrer sem inspiração, como um ofício, uma demanda. Transpiração, a meu ver, é desabafar. Quando era mais jovem, eu “transpirava” mais. Hoje, sou mais polido. Não respondi à pergunta, sei. Para mim, não há resposta.

De todos os seus livros, algum tem morada especial em seu coração?
Márnei Consul: Sim, o “Do começo”, pois vejo contos bem trabalhados e desenvolvidos nele.

Quais seus planos para o futuro?
Márnei Consul: Concluir um livro de contos para 2020, com textos novos e antigos. Nada a longo prazo (ainda).



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