
A poeta Ana Lúcia Xavier explora temas existenciais e filosóficos em sua obra “Silêncio & Solidão”, lançada pela Pragmatha Editora. O livro é um convite à reflexão sobre as grandes questões da existência: o tempo, a impermanência, a solidão e o sentido de ser. Nos versos, a autora transforma o filosofar em poesia e propõe uma pausa diante da pressa cotidiana.
A urgência do presente está no centro da obra. Xavier escreve que “é tarde para quem não percebeu cedo / que o dia amanheceu lindo”, um alerta sobre a necessidade de atenção ao que se vive. Diante da transitoriedade, a poetisa encontra serenidade: “na impermanência, serena / com o que eu faço”. É desse lugar que ela afirma: “do amor nasci / e intensamente senti”.
. Tempo que ensina
O tempo aparece na poesia como companheiro e mestre. “O tempo é também parceiro / permitiu andar comigo / mesmo nos desencontros / nos meus devaneios foi meu amigo”, versifica. A mesma voz reconhece, com sabedoria, que “o tempo diz com primazia / que passou tudo o que devia / pois foi por merecer”.
A reflexão sobre o vivido leva ao autoexame. Em um dos poemas, a autora conta que “reservei alguns minutos para pensar / revirei a vida até então / e sentir do avesso uma questão: / tudo que fiz, houve algo em vão?”. A pergunta, porém, não paralisa: a obra devolve ao leitor o protagonismo de sua própria trajetória. “Escreva uma linda história / construa, você é o autor”, conclama.
. Força interior e reconstrução
Ana defende que a resposta às intempéries está dentro de cada um. “O mundo externo interfere em nossas emoções, mas é dentro de nós que podemos encontrar o que é benéfico para tornar os dias melhores”, escreve. Em versos de reconstrução, admite a dor e a tentativa de recomeço: “a minha alma doeu / meu coração sentiu / tento a cada dia / juntar o que partiu”.
.Solidão, silêncio e o ser
Longe de um vazio, a solidão ganha contorno de paz na obra: “sou silêncio e solidão / paz que me acolheu”. O silêncio, para a autora, é espaço de revelação: “no silêncio permeia o pensar / no meu mundo com voz em minh’alma / mistério neste mundo da linguagem / palavras também iluminam”.
No centro da poesia está a defesa de uma vida guiada pela essência. “É uma arte que exige / formas de pensar diversas / vivo no que acredito / ando, não tenho pressa”, escreve. E conclui, em tom de ensinamento: “se parar para pensar e perceber / que o que importa é o ser / terá razões para crescer”.
02/10/26