
A escritora Renata B. Blodorn está publicando pela Pragmatha Editora o livro “Nina, a capivara valente”. Nesta entrevista, ela fala sobre o processo criativo e suas expectativas. Confira!
Com a publicação de Nina, você oficialmente é uma autora. Qual a sensação?
É um misto de sentimentos que convergem numa grande expectativa. É satisfação em poder ver a própria criação e uma ansiedade enorme para saber da reação dos leitores. Pela experiência que tive com projetos de literatura infantil como professora de alfabetização, percebi que o público infantil é muito exigente: deixam-se cativar por uma história na mesma medida que podem rejeitá-la, de uma forma muito autêntica, sem justificativas. Então, resumindo, eu diria que a sensação, no momento, é de “borboletas no estômago”.
Como foi o processo criativo de dar vida à personagem Nina e sua aventura?
Olhando para trás, percebo as várias etapas. Uma história infantil, embora curta, não se constrói em um dia, uma semana ou um mês… É um processo longo, mas muito interessante e gratificante. Exige amadurecimento da ideia com repousos e retomadas, revisão cautelosa, refinamento da obra como um todo. Tive a grata satisfação de participar da oficina de escrita criativa “Do rascunho ao livro” realizada pela escritora e contadora de histórias, Márcia Funke Dieter, que tem obras infantis incríveis, com quem aprendi muito. No decorrer dos encontros, foram surgindo as primeiras ideias: personagem, enredo, cenário…
A história da Nina começou sendo escrita em versos e acabou em prosa. O cenário também se construiu na medida que a própria Nina foi revelando sua personalidade e a narrativa se consolidou a partir da determinação, da inquietude e da ousadia em desafiar a sua limitação e enfrentar seus medos. Eu criei a Nina e ela construiu a aventura. No meu entender, no momento em que se dá vida à personagem, ela mede o tom e dá o rumo da história. O processo criativo só termina quando a obra satisfaz a personagem e o autor. E culmina com o trabalho de ilustração que é uma etapa muito surpreendente, de desvelamento e de puro encantamento.
Do que o livro trata?
A obra pode ser vista sob várias nuances. Une limitação, sonho, coragem e amizade. É a história de uma capivara filhote que percebe que tem uma limitação em relação às outras capivaras. Porém, sua valentia é fator determinante para ir em busca de outras possibilidades de diversão e nesta aventura descobre um grande amigo. Juntos, o sonho se transforma e, além disso, conseguem mudar a realidade do seu meio.
A obra pretende deixar alguma mensagem?
Vou me utilizar da frase de uma grande poeta que me inspira e que traduz muito bem a mensagem que quero deixar: “A verdadeira coragem é ir atrás de seu sonho mesmo quando todos dizem que ele é impossível” (Cora Coralina). Então, se você tem certeza do que quer, vá em frente e não desista!
O que mudou em você durante a feitura do livro?
Percebi que esse processo criativo é revelador e transformador. É a fusão da criatura com o seu criador. E isso te impõe uma certa responsabilidade com o destino da tua obra. Não sou mais a Renata de antes. Agora sou a Renata que deu vida à capivara Nina, e o meu desejo é que ela possa trazer esperança e alegria às crianças que tiverem acesso à história dela. Que a Nina encontre um lugarzinho no coração de quem tem um sonho a realizar e seja inspiração para superar os desafios que a vida apresentar.
23/3/26