Refeito

Deitou-se na cama e chorou, mas apenas por um instante, logo se levantou, seu sonho tinha sido abalado, mas não acabou.

As ondas destruíram seu castelo que ainda estava na areia, o vento forte desfez a sua teia, mas seu sangue quente pulsava forte na veia.

Na prática, eram alguns, talvez muitos, passos para trás, mas recomeçaria de cabeça erguida, nada de mais.

Refaria lentamente os laços, calcularia com mais cuidado os novos passos e capricharia nos mínimos traços. Aos poucos recuperaria todos os pedaços, voltaria a preencher os incômodos e vazios espaços, em silêncio, sem estardalhaços.

Repetia incessantemente, como um mantra, uma expressão que tinha ouvido e jamais esquecido: “Assim é a vida, um recomeçar contínuo, mesmo quando tudo parece perdido”. Esse seria seu lema e manteria seu coração aquecido.

Faria, das cicatrizes, belas tatuagens, das tempestades, prazerosas estiagens e do medo, tolas miragens.

Recalcularia a rota para o seu norte, mas não perderia seu porte, cicatrizaria cada corte e se regeneraria ficando ainda mais forte.

Agora, mais experiente, preocuparia-se não só em plantar e sim em regar e cultivar a semente, só assim ela seguiria em frente.

Mais atento, prestaria atenção aos conselhos do vento, se necessário, flexibilizaria seu posicionamento e conforme o argumento, reveria seu pensamento.

Aprumou-se, estava anos luz de ser derrotado, o jogo mal tinha começado e o guerreiro não estava mais abalado, sua confiança tinha retornado, as lágrimas já estavam no passado e o instante de incerteza, ultrapassado.

Abriu a porta, saiu do quarto escuro, derrubou o muro e partiu célere para seu belo e confiante futuro.

Por Leonardo Andrade

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Texto integrante do projeto de exercício literário proposto pela Pragmatha Editora em suas redes sociais. Participe! Em caso de dúvida, converse com a editora Sandra Veroneze pelo e-mail sandra.veroneze@pragmatha.com.br

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