Quadro desolador

Deitou-se na cama e chorou. Chorou muito porque não havia mais o que fazer, o que tratar, o que buscar. Com todas as chances esgotadas, naquela manhã sua filha fora internada em uma clínica para dependentes químicos. Sentiu-se esvaziada como um copo em dia de calor intenso. Nunca considerara os sinais que foram sendo dados ao longo dos anos por Annie. O diagnóstico de bouderline já era suficiente, segundo a sua interpretação. Para ela, seus amigos, sempre que a alertavam sobre o quadro da filha, exageravam demais. Não, não era exagero! Annie fora tomada por um mundo incrivelmente desolador e a sua beleza transformou-se em reclusão, apatia e dor. Naquela tarde, a imagem do corpo da filha amarrado à maca e os seus gritos ensurdecedores ainda ressoavam nos seus ouvidos. Não havia outra alternativa a não ser chorar, gritar e rezar por Annie.

Por Rosalva Rocha

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Texto integrante do projeto de exercício literário proposto pela Pragmatha Editora em suas redes sociais. Participe! Em caso de dúvida, converse com a editora Sandra Veroneze pelo e-mail sandra.veroneze@pragmatha.com.br

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