“Nunca se sabe quando virá a próxima crise”

Marcos Teixeira é graduado em Direito e Economia, especialista em Finanças pela UC Berkeley e Mestre em Engenharia Logística pelo Massachusetts Institute of Technology. Diretor da Costa Teixeira Logistics, é coautor da obra O transporte de cargas brasileiro em tempos de pandemia, lançado pela Pragmatha. Nesta entrevista, fala sobre as perspectivas do setor e importância da obra.

Na sua opinião, qual o grande legado da pandemia para o setor de transportes? 

Acredito que o grande legado que ficou foi o reconhecimento da população em geral da importância que o setor de transportes tem no cenário econômico brasileiro, e também da enorme capacidade de reação e adaptação que demonstramos ter frete a todas as dificuldades surgidas com este cenário caótico que vivemos. As empresas de transporte, com o apoio de seus colaboradores, fizeram o possível e o impossível para manter o país rodando e as prateleiras abastecidas. Aprendemos a viver em um ambiente de incertezas onde precisávamos dar respostas rápidas e criar soluções viáveis frente a todos os entraves que vinham surgindo. Esta experiencia com certeza nos ensinou muito para o futuro, onde as transformações são cada vez mais rápidas e constantes.

Depois de um ano de pandemia, você está esperançoso e otimista quanto ao futuro do setor de transporte no país?

Não tenho dúvidas da importância do nosso setor para a economia brasileira, porém o ano de 2021, que esperávamos ser um pouco mais light e calmo, já vem se mostrando bastante turbulento neste primeiro trimestre. O custo de todos os insumos do setor de transportes escalou significativamente, ao mesmo tempo que as tarifas de frete não acompanharam estas altas. Isto vem inviabilizando muitas operações e também novos investimentos no setor. Com isso, o otimismo que tinha tomado conta do setor no final do ano passado, acabou tomando um banho de água fria neste início de ano.

A realidade atual já é, na sua opinião, o novo normal para o setor de transportes?

Acredito que as coisas mudaram sim e continuarão mudando cada vez mais rápido, mas não acredito que o cenário atual seja o novo normal. Estamos vivendo em meio a muitas incertezas e problemas. Aumento nos casos de covid, demora nas vacinas, cenário político instável, economia mundial em crise, dentre outros. Isto faz com que o nosso mercado fique ainda mais difícil, mas no longo prazo algumas destas variáveis devem voltar ao normal e juntamente com isso deve vir um período mais calmo e estável. Atualmente ninguém se sente seguro e confiante para fazer grandes investimentos.

Se você pudesse hoje enviar um recado para o setor de transportes no início da pandemia, qual seria?

Se você me perguntasse isso no final do ano passado minha resposta seria diferente, pois acredito que todos acreditávamos que o cenário estava melhorando cada vez mais. Atualmente meu recado é: não podemos baixar a guarda nunca, pois os ciclos de mudanças estão cada vez mais curtos e nunca se sabe quando virá a próxima crise.

Para você, o que significa ser coautor da obra?

Participar desta obra com tantas pessoas extraordinárias foi uma experiência inesquecível, principalmente em se tratando de um tema como este, tão novo e delicado para a sociedade como um todo. Não tenho dúvida de que esta época vivida fará parte da história contada aos nossos filhos e netos, então este livro com certeza ira contribuir muito para este entendimento futuro do que foi esta pandemia e como a sociedade em conjunto colaborou para criar soluções e alternativas para minimizar seus impactos.

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