O escritor Rodrigo Seefeldt teve a infância marcada por uma inovação tecnológica. Em frente à sua casa, na zona rural, foi instalado um telefone público, o popular “orelhão”. E sua vida nunca mais foi a mesma. Era intensa a movimentação, inclusive com chamadas noturnas. Agora, adulto, Rodrigo revisita suas memórias e as registra em livro, com publicação pela Pragmatha Editora. Confira o texto de apresentação da obra.

Este livro surgiu a partir de oficinas literárias promovidas pela Pragmatha Editora e pelo Dodecaedro Refúgio Literário. As capacitações me possibilitaram viajar pelas mais variadas histórias que ouvi, presenciei, e também pude criar através da ficção. A escrita despertou algo muito especial: minhas memórias de infância no interior de São Lourenço do Sul.
A capa retrata em primeiro plano um orelhão, o famoso telefone público. Essa foi, de fato, a experiência vivenciada por este autor, que teve a felicidade de ver um orelhão instalado praticamente em frente à sua casa, no final dos anos 1990. Algo quase inimaginável na época, já que possuir um telefone fixo ainda era privilégio de poucos ainda mais no interior, e a instalação de um telefone público era uma reivindicação constante da comunidade do Boqueirão Velho.
Por muito tempo, fui o “guardião” do orelhão. Sempre que alguém o utilizava, principalmente nos finais de semana, eu corria para verificar se não havia ficado algum cartão telefônico com crédito, que passei a colecioná-los. Os cartões traziam datas comemorativas, marcos históricos, séries temáticas, além de imagens de estados e municípios, inclusive de São Lourenço do Sul.
As aventuras, a curiosidade, a expectativa pelas ligações, as chamadas noturnas e a intensa movimentação ao redor daquele pequeno espaço fizeram parte da minha vida e, de certa forma, transformaram-se em muitos dos contos presentes nestas páginas.
Esta obra surge para registrar muito além das minhas memórias de infância, mas também de milhares de pessoas que necessitaram utilizar um orelhão para se comunicar. Neste ano a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) confirmou que irá retirar os aparelhos de todo país. Eles somam 38 mil unidades, muitas danificadas e sem utilização.
Ao final deste livro, cujos textos foram escritos minuciosamente, o leitor encontrará também algumas considerações históricas sobre o telefone no mundo e, especialmente, em São Lourenço do Sul.
As ilustrações foram criadas com muito carinho pelo amigo e artista Ricardo Freitas, popularmente conhecido como Donga, que com seu olhar atento faz a união perfeita entre a história e o desenho.
Agradeço imensamente a minha família e os amigos que apostaram suas “fichas” e me concederam “créditos” para tornar essa obra real, especialmente ao primo (da família do meu bisavô) Marco César Oliveira Quevedo.
Então…
Permaneça na linha…
Rodrigo Seefeldt
1/4/26