Fim de curso

Na véspera da formatura, não consegue dormir. Terminara, então. Adeus às noites mal dormidas, as provas, os choros, risadas, a despedida. Passara tudo tão rápido! Quem diria, conseguira. Era agora a formanda em Medicina. Doutora! O que aconteceu com a guria de dezessete anos, carinha de bebê, cheia de expectativa e sonhos? Nos últimos dias, os churrascos, jantares nas casas dos homenageados e paraninfo e as recordações deram o tom.

Estava viajando quando recebeu do irmão a notícia de que passara no vestibular. Alguns colegas de prova que “estavam dentro” ficaram pelo caminho, demonstrando que a seriedade e o comprometimento falariam mais forte. Sem o amparo do grupo, era o momento de enfrentar a vida e o mundo sozinha. Ansiava pelo que estava por vir. Ao mesmo tempo, sentia um aperto no coração. 

Os estágios tinham-na preparado, porém o trabalho com o cirurgião de renome, indicada que fora pelo professor de Porto Alegre, era algo muito mais gratificante: a responsabilidade de explicar para pacientes e acompanhantes o procedimento, cuidados pós-operatórios, a preocupação de bem atender tornam o dia a dia excitante

Amanda fecha o livro de recordações, alisa as fotos e arruma a mala. Na festividade de  dez anos de formatura, se juntaria aos amigos com o mesmo sentimento de alegria e perda. Nada fora em vão, trabalhara duro, terminara mestrado e doutorado. Bora comemorar! Uma pequena viagem de avião e reveria aqueles que foram seus companheiros e não mais vira nesse período. Como estariam eles?

Longe, num passado cada dia mais distante, a véspera da formatura e a consequente dúvida: seria capaz?  Sim, e era grata por isso.

Por Vilma Vianna

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Texto integrante do projeto de exercício literário proposto pela Pragmatha Editora em suas redes sociais. Participe! Em caso de dúvida, converse com a editora Sandra Veroneze pelo e-mail sandra.veroneze@pragmatha.com.br

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