“Escrevendo, liberto meus fantasmas”

Giovana Schneider é moradora de Marechal Floriano, no estado do Espírito Santo. Entusiasta da literatura, dedica-se a escrever porque, escrevendo, “liberta seus fantasmas”. Já tem alguns livros publicados, de poesia, romance e contos. Atualmente, cursa a graduação em Filosofia e é acadêmica da AFHAL (Academia Florianense de História, Artes e Letra “Flores Passinato Kuster”). Nesta entrevista, Giovana fala sobre a participação na antologia Proseiros | Contos, gestada nas oficinas literárias da Pragmatha.

O que representa para você participar desta antologia?

Durante o processo, interagimos com pessoas que são gente boa demais, que nos deixam à vontade, dão feedbacks construtivos e das quais sentimos falta. Participar desta antologia, com essas pessoas, foi de grande valia. Ficará marcado. Aprendi muito. Foi, realmente, muito positivo para minha vida literária.

O outro lado da religião é mais um conto do detetive Abelha, um personagem que se tornou querido de todos nós no grupo Proseiros. Conta pra nós quem é esse sujeito!

Heleno é o seu nome de batismo, mas todos o conhecem como Abelha. Desde criança foi um pouco abelhudo e muito curioso, com mania de detetive. Assim nasceu o apelido. O agora conhecido detetive Abelha, quando acredita que alguma coisa está errada, melhor não duvidar. Seu bordão é Nada é o que parece ser. É um cara metódico, formado em direito, mas não exerce a profissão. Solteirão convicto. Tem um gato, o Alfred, e uma grande paixão, o violino. Gosta da própria companhia, não tem muitos amigos.

No conto Sem limites você utiliza muito bem um recurso que todos aqui concordam que você é mestre, os diálogos! Qual é o segredo pra fazer diálogos tão bons?

Costumo dizer que escrevendo eu liberto os meus fantasmas. E isso é real. Como toda criança, tive amigos imaginários, conversava sozinha, enfim, coisa de criança. Mas acredito que essas conversas e amigos, continuaram comigo. Brincadeiras à parte, não sei explicar exatamente o que acontece. Quando dou o primeiro travessão, os diálogos vão acontecendo sucessivamente.  

No conto O misterioso mendigo Nico o antagonista é tão importante quanto o protagonista. Isso foi de caso pensado, no seu processo criativo? Ou você foi escrevendo e os personagens se apresentando?

Sabe, quando estou escrevendo, algumas vezes, planejo. Mas na maioria das vezes tudo vai nascendo. Os personagens vão chegando, se apresentando, e entrando na história.

Um trecho de O diário diz assim: Aquela noite estava quente. Joseph foi para a varanda. Sentou-se na escada e ficou olhando o céu estrelado. Levou um susto quando ouviu a voz do pai. Neste conto, do que você mais gosta?

Para dizer a verdade, gosto dele todo. Foi uma viagem escrevê-lo. Como escrevi um livro da minha cidade, a pequena Marechal Floriano, que fica na região serrano do Espírito Santo, tive que ler alguns livros, e também ouvir histórias de como foram as agruras de quando os imigrantes vieram para o Brasil. Muitos faziam suas anotações em diários. Este trecho que você cita “Sentou-se na escada e ficou olhando o céu estrelado…”, veio para mim como uma imagem, uma tela, pincelada com amor. Tem também quando ele retorna à localidade de Final Feliz: “… chegando na pequena Final Feliz, observou que praticamente nada havia mudado. Parece que ficou presa no tempo, pensou…”. Realmente, tem certos lugares que param no tempo, ou vão crescendo a passos lentos.

Destes contos, qual o seu preferido?

Foi O Diário. Viajei muito neste conto. Estive em Final Feliz.

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