“É um álbum de memórias sem fotografias, onde cada palavra guarda um rosto, um gesto, uma descoberta”

“Cruzeiro do Sul – um farol que atravessa gerações” é o livro que a escola Cruzeiro do Sul, de São Lourenço do Sul, RS, publica em homenagem aos seus 100 anos. A obra contém textos de alunos e ex-alunos, além de professores. Um deles, de Cleia Dröse, é o prefácio.

Confira:

Há cem anos, uma semente foi lançada ao solo fértil das gentes de São Lourenço do Sul. No princípio, com outro nome, mas à época em que a conheci, chamava-se “Grupo Escolar Cruzeiro do Sul”.
Aquela sementinha frágil germinou, brotou em forma de vozes, cadernos abertos, passos apressados pelos corredores, sonhos escritos a lápis e apagados para serem reescritos com mais coragem.
Este livro é feito dessas marcas invisíveis. É um álbum de memórias sem fotografias, onde cada palavra guarda um rosto, um gesto, uma descoberta. Aqui, alunos, ex-alunos, professores que fazem parte desta história, transformam lembranças em constelações. Cada texto é uma estrela. Cada página, um mapa para quem deseja entender como se aprende a viver.
A atual “Escola Estadual de Ensino Médio Cruzeiro do Sul” não ensinou apenas letras e números. Ensinou escuta, insistência, partilha. Ensinou que errar também é caminho. Que perguntar é uma forma de crescer. Que sonhar é um dever silencioso.
Entre o primeiro sino e o último abraço, passaram gerações. Algumas ficaram nas paredes. Outras, no mundo. Todas, na memória.
Este livro não é um monumento de pedra. É feito de papel, afeto e permanência. Resiste porque pulsa. Existe porque é lembrado.
Que estas páginas sejam abrigo para o passado e farol para o futuro. Que nelas se reconheçam os que vieram antes e se inspirem os que ainda virão.
Cem anos não são um fim. São um verso em movimento.
E a Escola Cruzeiro do Sul segue escrevendo sua poesia no tempo.

Cleia Dröse
Ex-aluna, ex-professora, incentivadora da arte literária na escola.

2/4/26