Contos de orelhão: “Um refrigério nostálgico e bem-humorado”

O escritor Rodrigo Seefeldt está publicando, pela Pragmatha Editora, o livro “Contos de Orelhão – Permaneça na linha”. A obra reúne narrativas inspiradas em memórias, com liberdade criativa, e mostra como o telefone público era importante, especialmente nas pequenas comunidades. O prefácio é da editora Sandra Veroneze. Confira:

“Sou da época que telefone em casa era coisa de rico. A nós, os desprovidos, restavam os orelhões espalhados pelo bairro. Não eram muitos, e metade não funcionava na maior parte do tempo.

O telefone era secundário em nossas vidas, apenas para casos mais urgentes. Famílias com doentes e grávidas costumavam fazer estoque de fichas e, mais tarde, de cartões. Havia, claro, a alternativa de se pedir emprestado na casa de algum vizinho, mas nem sempre era uma logística fácil, em especial em época de eleição.

Conversar com alguém ao telefone era uma espécie de evento. Você precisava sair de casa, ir até o orelhão. Com sorte, não haveria fila. Com mais sorte ainda, ele não “comeria” as fichas ou créditos.

Era tudo diferente. Nós até sabíamos de cor o número de telefone das pessoas. E havia uma lista telefônica com as informações de todos. Privacidade e proteção de dados pessoais? Que nada!

Eu não me importava muito de esperar nas filas, porque tinha tempo e porque eu gostava de ouvir a conversa alheia. Um belo exercício era tentar adivinhar o que o interlocutor no outro lado da linha estaria respondendo. Desconfio que a imaginação e o raciocínio lógico da nossa geração tenha sido estimulado aí, nestas longas esperas em telefones públicos.

Algumas histórias eram tristes: a colheita perdida, o acidente do filho de alguém… Outras vezes, circulavam notícias boas: a aposentadoria que saiu, o filho de alguém que entrou na faculdade.

Eram muitas as histórias e, pensando bem, que livro dariam!

Felizmente, o Rodrigo Seefeldt teve essa ideia e as páginas que seguem são um refrigério nostálgico e bem-humorado.

Divirta-se!”

Sandra Veroneze

Pragmatha

1/4/26