O Dodecaedro Refúgio Literário está publicando pela Pragmatha Editora a antologia “Dois expressos, por favor”. A obra reúne textos poéticos, crônicas e contos sobre o café. O prefácio é de Sandra Veroneze. Confira.

Como pretensa filósofa, costumo manter acerca de tudo uma leve desconfiança. Os pontos de interrogação me parecem com frequência uma ótima companhia. Confesso que sinto um certo prazer quando a mente coloca a certeza em suspenso e procura analisar nuances de um acontecimento, de uma afirmação, de algo, em tese, consolidado.
Na prática, questiono um ponto aqui, troco a perspectiva de análise de outro ponto lá… Dou um passo para o lado para ver as mesmas coisas com outra lente, por outro ângulo. E assim, na medida do possível, vou driblando o dogma e aprendendo coisas novas todos os dias. É uma espécie de refresco no mundo em constante mudança, onde estar parado significa retroceder (será?).
Mas há uma certeza de que não abro mão: o dia só começa depois de um delicioso café. E não importa o horário. Se há odor mais convidativo à vida e à celebração de tudo que há de bom nela, trazendo ânimo e disposição para qualquer desafio que possa surgir, desconheço.
O café sempre cai bem. Está feliz? Vamos tomar um café. Está triste? É hora do café. Para acompanhar um docinho? Humm… Adivinhou. Há inclusive quem tome um belo café bem preto para relaxar, antes de dormir.
O café é um excelente argumento para encontrar os amigos, especialmente se eles são zero álcool, como eu. Também funciona super bem como convite para viagens. “Precisamos ir na cafeteria X, da cidade tal”, mesmo que a cidade tal fique a dezenas de quilômetros. Quem, por exemplo, não consideraria visitar os cafezais de Minas?
Detalhe importante: especializar-se na arte é um caminho sem volta. Você vai aprimorando o paladar. O ponto de virada é quando começa a dispensar o açúcar. Acho chique quem entende de torras, equilíbrio, acidez… Ainda não cheguei lá, mas já me mimo: aqui em casa, só café em grão, para “moer na hora”.
A verdade é que todo café é bom. Porque não é apenas a água saborizada com a semente torrada e moída. É tudo que vem junto com ela: a introspecção de um capuccino solitário, o afeto de um café coado sorvido ao lado de um amigo, a adrenalina do expresso em uma reunião de trabalho, o carioquinha que cai bem enquanto escrevemos mais um conto ou poema para a coletânea “Dois expressos, por favor”.
A propósito, é hora de degustar os textos aqui presentes. Prepare o café de sua preferência e embarquemos juntos nessa viagem.
Desejo uma excelente leitura!
Sandra Veroneze
Pragmatha Editora
A pré-venda já está aberta. Exemplares podem ser comprados antecipadamente a R$ 40,00. Os contatos para encomenda são WhatsApp. 53 99117 2356 e 53 98467 8816.
12/3/26