Amizade sem fim

Um cão enorme guardava a porta. Janete aproximou-se chorando na capela e acabou, sem perceber, esbarrando nele. Seu tio falecera na noite anterior e estava sendo velado ali. Fora um segundo pai para ela. Multiplicou cuidados e amor por toda a sua vida. Sempre que ela comentava sobre o quanto era desnecessário tanto zelo, ele replicava: “como não tive filhos, tu és minha filha emprestada e, quanto mais cresces, maior é a minha preocupação e responsabilidade”. Enfim, foram cúmplices sempre e ela ficará em dívida com ele para sempre. Esse era o sentimento naquela manhã. 

Após uma longa oração, ela sentou-se ao lado de um senhor mal cuidado, com barba por fazer e boné esmaecido pelo sol. Ele logo a reconheceu e confirmou: “és a Janete?”. “Sim”, respondeu ela. “Pois eu sou o José, vizinho do seu Tio Alzemiro. Como éramos sozinhos, cuidávamos um do outro. E aquele cão na entrada da porta é o Rex, o nosso eterno guardião. Ele andava muito cabisbaixo desde que o teu tio foi para o hospital e hoje, quando eu soube da notícia e resolvi vir me despedir do meu vizinho, ele olhou-me como gente, como se suplicasse para vir junto. Acreditas? Então resolvo trazê-lo e desde que chegou está cumprindo o seu papel de guardião. E, incrivelmente, está parecendo bem feliz”. 

Janete fixou o olhar no Rex e, em pensamento, agradeceu todo o cuidado, e chorou.

Por Rosalva Rocha

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Texto integrante do projeto de exercício literário proposto pela Pragmatha Editora em suas redes sociais. Participe! Em caso de dúvida, converse com a editora Sandra Veroneze pelo e-mail sandra.veroneze@pragmatha.com.br

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