A importância da pesquisa na produção literária

Uma obra literária de qualidade não prescinde de uma pesquisa na mesma proporção exigente. Até um poema, conto, crônica, causo, conto, novela ou romance chegar à sua versão final, há um longo caminho de pesquisa. Bibiografia e entrevistas podem compor as interseções de um escritor para o seu fazer literário. Perguntamos a escritores da Pragmatha sobre como foi o processo de pesquisa para produção de suas obras.


Eduardo Guilhon, autor de A Quimera do Torto, conta que quando a filha tinha dois anos passaram alguns dias no Hotel Fazenda Villa-Forte, no interior do estado do Rio de Janeiro. O hotel é antigo (inclusive de passado escravocrata) e tem um cantinho de história. “Soube que até o Conde D’eu esteve por lá “, afirma o autor, que complementa: “Agradeço ao mau tempo, o bom tempo que aqui tive”). Neste hotel Eduardo escreveu o primeiro conto e passou a pesquisar lugares e momentos interessantes. Sua fórmula foi sempre observar com um olhar oblíquo, com coadjuvantes, nunca com o principal. “E assim foi a Quimera do Torto. Aliás, só depois de um tempo entendi que ali havia uma proposta de livro”, conclui.

Márnei Consul, para escrever a mais recente obra, se valeu de algumas perguntas feitas pela editora Sandra Veroneze sobre escrita. “Ademais, selecionei material de aulas que ministrei acerca de erros ortográficos. E, por fim, quis facilitar a escrita de quem quer se arriscar na literatura, apresentando conselhos para um bom texto, com base em minhas leituras e produções”, afirma.

Sandra Regina de Alencastro Lima publicou pela Pragmatha a obra “Meu Dançar”, em que aborda as danças tradicionais gaúchas. Para escrevê-lo, a pesquisa foi realizada em material literário já publicado e estudado, em experiência pessoal e na criação de metáforas e visualizações mentais. “Toda a formação das personas apresentadas surgiu da leitura de textos sobre o gaúcho e a formação do povo gaúcho, buscando nas entrelinhas ou nos poucos registros existentes nesses textos sobre a mulher gaúcha e também no estudo sistematizado de ciclos coreográficos e polos irradiadores das danças”, afirma. Segundo ela, a experiência na dança e a vivência do tradicionalismo como prenda deram suporte às sensações e percepções que foram descritas nas metáforas criadas que levam o leitor a visualizar e/ou se sentir dançando no tempo/espaço criado e que representamos.

Cleia Drose publicou pela Pragmatha o romance O Quarto Pilar. O ponto de partida para realização de suas pesquisas, bibliográficas, foi a própria curiosidade por física quântica e as teorias que engloba. Um grupo de amigos acompanhou a construção da trama e sempre que a questionavam, buscava mais informações. “Procurei falar da Teoria do Todo sem explicá-la, abordando apenas como pano de fundo. Não sei precisar se pesquisei mais antes ou durante a construção do romance”, confessa.

Leonardo Andrade publicou pela Pragmatha o livro de poemas “Um certo janeiro”, obra que ele classifica como uma colcha de retalhos que foi sendo formada ao longo de muitos anos. O que aconteceu, na sua opinião, foi o somatório de inúmeras observações e acontecimentos acumulados, maturados e traduzidos para sua própria linguagem. “O livro fala de um momento específico (janeiro de 2021) mas guarda em suas entrelinhas mais de cinquenta anos de existência”. Na produção do livro, houve troca de ideias com amigos, o que o ajudou bastante a entender os efeitos desta fase na vida cotidiana das pessoas. “Ousei ser o porta voz dessa loucura coletiva que nos acometeu no período”, afirma.

Giovana Schneider confessa que, quando começou a escrever “No paralelo da vida”, já sabia que não ia ser muito fácil, por causa do assunto abordado, embora sua cabeça estivesse fervilhando de ideias. “Fiz algumas pesquisas a respeito da experiência de quase morte, o que me deu uma direção. Os nomes dos personagens também foram pesquisados e isso já é um hábito que tenho”. Ela cita como exemplo a personagem Joana, que morreu, depois apareceu Yohanna, que era a mãe de João, todos com o nome que tem o mesmo significado (Yohanna é um dos femininos do nome João e equivale ao nome Joana, na versão feminina). “Como também estava falando do coma, em minhas pesquisas descobri a importância da fisioterapia logo após o despertar”. Isso perguntou a algumas pessoas que conhece e que trabalham na saúde. “A respeito da rotina hospitalar, também pesquisei com gente que conheço. Foi um trabalho que me trouxe conhecimento. E isso é muito gratificante”, conclui.

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp