A experiência de ser personagem em uma obra ficcional

A escritora Cleia Dröse rompeu alguns paradigmas com o lançamento de “O Quarto Pilar”, pela Pragmatha. Além de ser seu primeiro romance, também é a primeira vez que aborda a distopia como linha narrativa. E caso não bastasse fazer o lançamento em formato drive-thru, que agitou culturalmente sua cidade, São Lourenço do Sul, a autora também inovou em outro aspecto: alguns de seus amigos e parceiros de letras foram transformados em personagens.

GD13 – A experiência está sendo considerada muito especial pelos participantes. Gabriel Dröse, no livro, é o personagem GD13. Ele teve a oportunidade de ir acompanhando a história enquanto era escrita, tentando imaginar os rumos e desdobramentos. “Sempre acabava surpreendido pela criatividade da escritora e isso tornou tudo ainda mais interessante”. Para ele, foi uma grata surpresa constituir referência para a construção de um dos personagens. “Obviamente, me senti honrado ao poder fazer parte desta obra e principalmente por poder acompanhar o processo de criação!”, afirma. 

AMC8 – Arita Correa é a personagem AMC8, que na realidade representa sua oitava geração. Segundo ela, a descrição de seu personagem tem muito a ver com própria personalidade e foi realizadda de uma forma delicada e perspicaz, captando também aspectos da personalidade da filha e da neta. Arita afirma que foi uma experiência fantástica participar da trama criada por Cleia. “Ficava sempre na expectativa do que estava por vir e, a cada etapa que chegava, mais tinha vontade de ler e descobrir.” A ideia do drive-thru, na sua opinião, superou todas as expectativas. “Não só pela venda do livro, mas também pela oportunidade de poder vivenciar algumas das situações da história, como se tivéssemos saído das páginas do livro, realizando movimentos e tomando posições que chegavam à proporção áurea”, afirma. Uma participação inesquecível é como Arita classifica o momento.

MB15 – Marisa Burigo é a personagem MB15 de “O Quarto Pilar”. Para ela, participar da obra foi algo inusitado. “Ao ser convidada, não poderia imaginar aonde chegaríamos, mas o importante era apoiar nossa amiga, muito louca nas suas ideias ficcionais”. Marisa diz se sentir honrada de poder ler os capítulos enquanto iam sendo construídos e poder auxiliar nesse processo. “Porém, jamais imaginei que ela daria aquele, transformando seus amigos em colaboradores em personagens”, afirma. O momento do lançamento, na sua opinião, foi único. “A sensação era de que estávamos saindo das páginas do livro, que me reporta a um mundo nada impossível de existir, tendo em vista o comportamento do ser humano diante da natureza”. Se as pessoas conseguirem tirar o ensinamento embutido na ficção, acredita Marisa, talvez possam começar a mudar algumas atitudes. “A obra é tão grandiosa que para mim, Cleia é o nosso Quinto Pilar”, conclui.

MCF12 – Marcos Costa Filho é MCF12 no livro. A experiência de participar da obra, desde seu início, Marcos classifica como gratificante. “Confesso que, literariamente, vivi neste acompanhamento momentos felizes que nunca se constituíram em trabalho, mas sim um leve viajar, com a autora,  pelos campos da ficção”, afirma. Inicialmente Marcos diz que ficou à deriva com seus pensamentos, procurando imaginar os rumos do romance. “Sentia dificuldade em detectar o epicentro e cheguei a fazer vários questionamentos à autora”, afirma. O resultado foi, além da surpresa, uma emoção incrível, “de intensidade tal, no limite de ser vivida, mas gostosa”, afirma. O lançamento em formato drive-thru, na sua opinião, foi uma mostra de criatividade em primeiríssimo grau. “Jamais vi um nascimento para a literatura que de longe se assemelhasse como foi o de O Quarto Pilar”, conclui.

JD16 – Jefferson Dieckmann é o personagem JD16, com o qual desde cedo se identificou: alguém, misterioso, sábio, recitando dizeres, possuidor de uma caixa misteriosa no canto dos seus aposentos. Durante o inusitado lançamento, Jefferson tinha em suas mãos um baú (a caixa do personagem) com o qual oferecia e convidava as pessoas que chegavam a abri-lo. Dentro, os livros”. “Me senti muito bem entre os demais personagens que, junto comigo, saíram das páginas do livro para a realidade da praça central de São Lourenço do Sul. Creio que fui um dos participantes de algo inédito, em termos de evento e de literatura. E tudo isso, saído da criatividade e da imaginação de uma grande amiga e escritora chamada Cleia Dröse”, conclui.

MT11 – Márcia Tomazetti é a personagem MT11 de O Quarto Pilar. Fazer parte da trama e acompanhar o desenvolvimento textual foi, na sua opinião, uma experiência única! “Achei incrível a forma como a autora abordou minha personagem. O nível de descrição foi tamanho que estou com um misto de emoção, por me reconhecer no personagem, e de gratidão, pela representação e apreensão pela mensagem deixada”, analisa. Segundo Márcia, ela se sentiu corresponsável e acredita que os leitores irão também sentir uma parcela de comprometimento. “Estamos em tempo de repensar nossas atitudes, todos somos coautores dessa previsão. A criatividade da autora foi muito além do nosso imaginário e como de costume ela pensou em todos os detalhes, o lançamento do livro com drive-thru nos fez vivenciar e transmitir a essência do que se vive na trama”. O Quarto Pilar, acredita Márcia, remete a uma profunda reflexão.

VB14 – Verena Becker é o personagem VB14 de O Quarto Pilar e saber que iria fazer parte, como um dos personagens, de um romance foi, para ela, uma ideia completamente nova e arriscada. “Quando li o romance fui sentindo a narrativa arrojada, em um mundo futuro cheio de incertezas e novas descobertas a cada capítulo. Eu não sabia e não liguei meu nome ao personagem, simplesmente senti as vivências de uma época no futuro”. Sabendo que VB14 lhe representava, enquanto uma descendente sua, foi ao seu ver entrar na história com muito mais emoção. “Eu queria sentir a personagem cada vez que ela aparecia e viver com ela a época proposta pela autora. Amei fazer parte dessa experiência”, conclui.

NC9 – Noé Cezar é NC9 de O Quarto Pilar. Ele acompanhou o projeto desde o início e garante que a cada capítulo se surpreendia. “Uma construção sólida precisa de base forte. Erguer andares é preciso pilares. Não era uma obra comum. Chamei de templo. Ali, nós, os personagens, vivíamos reclusos, reunidos em rituais”, afirma. Na sua opinião, a escritora Cleia Dröse ergueu este templo com muita sabedoria e sensibilidade. “Viajou até ano 2999 para nos mostrar o risco que corre a humanidade; quatro pilares apenas sustentaram seu sonho”. Noé afirma que só tem a agradecer por ter participado desta belíssima obra e criação.

SP10 – Susani de Castro Pitano é SP10 no livro. Para ela, ser personagem de um romance é uma experiência inédita, algo glorioso, enobrecedor, pois trata-se de uma obra admirável e singular. “Ao adentrar em seu conteúdo somos provocados a pensar no mundo em que vivemos, bem como em nossa responsabilidade com relação a ele. Gosto bastante dessa tarefa tão necessária!”, afirma. Susani classifica seu personagem como forte e enigmático, combinando sobremaneira com o contexto da obra. O lançamento, na sua opinião, foi épico. “O cenário estava perfeito, naquela cinzenta manhã de sábado, como eram todas as manhãs na futurista Cosmópolis. Tudo provocou a curiosidade e a imaginação das pessoas”, analisa.

Texto: Sandra Veroneze

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