Uso da inteligência artificial é tema de oficina do Centro de Escritores Lourencianos

Por Tatiane Klumb, Jornal Tradição Regional

Na manhã da quarta-feira (21) o Centro de Escritores Lourencianos (CEL), de São Lourenço do Sul, promoveu uma oficina intitulada “Inteligência Artificial: Uma nova forma de aprender, trabalhar, criar e decidir”. A apresentação foi ministrada no Plenário da Câmara de Vereadores por Sandra Veroneze, jornalista e proprietária da Pragmatha Editora.

O evento faz parte da comemoração de 30 anos do CEL, celebrado no dia 21 de outubro.

Sandra apresentou exemplos e maneiras de utilizar a Inteligência Artificial no dia a dia, diferenciações entre as ferramentas, como qualificá-las e usá-las de forma responsável. Para ela, algumas das principais vantagens da IA são a agilidade e economia de tempo, automação de tarefas, aumento da produtividade, apoio à tomada de decisões, aprendizagem personalizada, estímulo à criatividade e à inovação, redução de custos, ampliação da acessibilidade (transcrições, traduções, descrições), personalização de serviços e democratização do acesso ao conhecimento.

A jornalista pontuou ainda as principais ressalvas quanto ao uso de IA, entre elas a possibilidade de erros e informações falsas, riscos à privacidade e à proteção de dados, vieses e discriminação, dependência tecnológica e perda de autonomia, impactos no mercado de trabalho, dilemas e responsabilidade ética, direitos autorais e propriedade intelectual, manipulação e desinformação, custos e desigualdade de acesso, além dos impactos ambientais.

“A Inteligência Artificial é uma realidade e se tornou uma ferramenta de trabalho. Ela entrou na vida das pessoas, tanto profissional quanto pessoalmente, e, na minha opinião, ela deve ser trabalhada. Ela traz facilidades ao mesmo tempo que traz alguns pontos negativos no seu uso. Contudo, as ferramentas, por si só, não são boas nem ruins. Tudo depende do uso que fazemos dela” destaca.

Para Sandra, é preciso utilizar as ferramentas a seu favor, sem perder a sua própria voz. “Eu defendo sempre a ideia de usar a tecnologia de uma forma reflexiva, sempre priorizando as habilidades naturais em relação à inteligência artificial. São muitos recursos, facilita muito a vida da gente, mas é preciso não criar uma relação de dependência com ela” aponta.

Ainda no ambiente literário, Sandra enfatiza que existem prós e contras na utilização. “Tem muitas atividades dentro da produção literária que a IA facilita. Em revisão de texto, por exemplo, é muito importante. Tínhamos muitos livros infantis parados na gaveta, porque ilustrar é muito caro, e hoje podemos ver uma democratização do acesso à publicação de histórias infantis porque a Inteligência Artificial facilita muito, com custos baixos e qualidade. Algumas formas mais avançadas de utilizar a IA para a escrita é criar um agente que converse com o escritor, auxiliando na geração de ideias, mas sem abrir mão do próprio estilo. Inclusive na divulgação, geração de cards e sinopse tem uma série de facilidades que ela traz para o escritor. O que o escritor não pode fazer é abrir mão de escrever o texto. Isso não pode virar uma muleta”, conclui. Sandra enfatiza, ainda, que a utilização em excesso da escrita de IA pode fazer com que todos os textos fiquem iguais, perdendo-se a originalidade e a autoria em relação ao que é feito, além de ser desonesto com o leitor.

O evento contou com ampla presença de público, com a participação de membros do CEL, escolas, equipes diretivas e comunidade em geral, gerando um espaço de debate entre os presentes, cada um expondo suas percepções e opiniões referentes ao tema.

26/10/26