ASPEL, umas das casas guardiãs da palavra pesqueirense

A Antologia Mosaico Literário, da Associação Pesqueirense de Literatura, contou com publicação da Pragmatha Editora e prefácio assinado pelo escritor Marcelo Oliveira Nascimento. Confira:

Prefácio

Ao que parece, a primeira vez que alguém se referiu a Pesqueira como Atenas do Sertão foi em 1917, quando o Cardeal Arcoverde assim a ela se referiu; foi num telegrama enviado ao então bispo de Olinda, Dom Sebastião Leme, que estava na cidade sertaneja tratando dos preparativos da nova sede da diocese que ali em breve se instalaria.
Aquele título, naquele momento, não foi à toa, se Pesqueira andava a passos largos, era por um caminho pavimentado por grandes pensamentos, por grandes ideias, por grandes “atenienses” nascidos ou forjados no árido. Era um caminho que levava ao futuro apontando para o progresso, e essas grandes ideias, como era natural, surgiam de grandes mentes.
Àquela altura, já havia brotado do solo pesqueirense muitos nomes de referência e que já rendiam grandes frutos que dariam continuidade àquela estirpe. Havia também os nascidos em outras terras, mentes não menos notáveis, que foram adotados por aquela Pesqueira de outrora, que sempre foi, a bem da verdade, um centro de enorme gravidade, que fazia orbitar em torno de si o que havia de melhor no campo da intelectualidade e da sensibilidade. E foi justamente daqueles bravos do passado que as gerações posteriores herdaram o gosto, o talento e a aptidão para as artes, pois, como era de se esperar, os filhos dessa terra nunca fugiram à luta!
Nesse universo pesqueirista, tão duro é o trabalho de listar os seus consagrados nomes da literatura quanto é o de coligir amostras de suas obras; não por sua escassez, mas, ao contrário, pelo avultado número da sua qualificada produção.
Certamente não foi tarefa fácil selecionar o que se vê nessa II Antologia da ASPEL, umas das casas guardiãs da palavra pesqueirense: mosaico literário, como diz o sugestivo subtítulo do volume, já nos apontando o que se pode esperar do conteúdo. Os nomes que preenchem estas páginas são vários e todos, absolutamente todos, rendem significativas impressões, seja pelo peso da maturidade do texto de alguns, seja pelo frescor e leveza da jovialidade de outros. Isso dá à coletânea um ponto de equilíbrio que nos permite passear de um lado para o outro experimentando sensações diversas, sem cansar e com o desejo constante de voltar à leitura.
A ASPEL, que não é só de Pesqueira, mas de todas as cidades que a abraçam, presenteia a região com uma bela obra assinada por um grupo humanamente coeso, mas de variados estilos literários, que ajudam a manter viva a cultura e a tradição das letras da Atenas do Sertão. Quanto a mim, a quem generosamente se confiou redigir esse prefácio, resta deixar a gratidão e o meu preito à coragem e à perseverança dos seus valorosos membros.

Marcelo Oliveira Nascimento

24/07/26