
“Simbiose”, do escritor Carlos Hahn, é daqueles livros cuja leitura nunca é despretensiosa. Com publicação pela Pragmatha Editora, é uma coletânea de contos que abordam temas variados, transitando entre o mistério folclórico, como o medo de assombrações em “O Capão do Enforcado”, e o realismo social, ilustrado pelas dificuldades de uma mãe trabalhadora em “No Busão”.
Há também relatos de crimes e investigações, questões históricas de desigualdade e reflexões sobre a solidão e o altruísmo. Os contos exploram a complexidade da natureza humana, expondo desde a ganância e o preconceito até atos de inesperada generosidade.
Por que ler “Simbiose”?
Rica diversidade de temas e gêneros narrativos
Os contos transitam por diversos cenários, épocas e emoções. Ao longo da leitura, o leitor encontra desde lendas e assombrações regionais (“O Capão do Enforcado”), suspense instigante com contornos de terror (“A Coragem de Liza”), e até dramas ambientados em períodos históricos como a época da escravidão ou o Brasil Império (“A Descoberta”, “Sonhos de Igualdade”). A obra também aborda momentos muito contemporâneos, como os desafios e o luto vivenciados durante a pandemia de Covid-19 (“Despedida”, “Sapo Sapiens”). Essa mistura garante uma leitura dinâmica.
Profunda reflexão e crítica social
Na própria introdução, o autor revela o desejo de usar a metáfora da “simbiose” (em suas formas de mutualismo e parasitismo) para tecer críticas à ganância e ao acúmulo desigual de riquezas. Essa lente crítica permeia vários contos que convidam o leitor a olhar para as dores do outro com mais empatia. Histórias como “No Busão” expõem de forma crua a rotina exaustiva e miserável de uma mãe trabalhadora, enquanto “Sextou” escancara o abismo de empatia entre patrões privilegiados e entregadores de aplicativo em noites de chuva. O livro também visita as sombras da ditadura militar em “Um Violão como Fuzil” e “Detido para Averiguações”, retratando o medo e a repressão da época.
Sensibilidade no trato do amor e do cuidado com os animais
O livro carrega uma enorme carga de afeto voltada às relações entre humanos e animais, refletindo as trocas de amor e amparo. Leitores que se emocionam com os bichos encontrarão motivos de sobra para gostar da obra. Contos como “O Altruísta” narram os esforços incansáveis (e quase solitários) de um homem para resgatar cães e gatos abandonados, e “A Descoberta” retrata o vínculo salvador entre uma menina e um potrinho desenganado. Além disso, o comovente conto “Reencontro” narra a experiência no pós-morte sob a perspectiva surpreendente e inocente de um cachorrinho que aguarda sua tutora no céu.
17/07/26