Três razões para ler “Contos de Orelhão”, de Rodrigo Seefeldt

“Contos de Orelhão”, de Rodrigo Seefeldt, com publicação pela Pragmatha Editora, reúne uma série de narrativas curtas que resgatam a nostalgia e a identidade cultural do interior do Rio Grande do Sul. Através de personagens cativantes, como o pequeno Oscarito e o coveiro Almidon, o autor explora a transição entre as tradições rurais e o avanço da modernidade.
O livro utiliza o telefone público como um símbolo central de conexão humana e memória coletiva antes da era digital. As histórias percorrem temas variados, incluindo disputas políticas históricas, lendas locais e a vida cotidiana em São Lourenço do Sul. Complementado por ilustrações de Donga, o texto oferece um olhar sensível sobre a preservação de heranças pessoais e sociais.

Três razões para ler “Contos de Orelhão”

Resgate histórico e viagem nostálgica
A obra traz de volta as memórias de uma época em que o telefone fixo era privilégio de poucos e utilizar um orelhão para se comunicar era um verdadeiro evento, muitas vezes acompanhado de esperas em filas e do uso de fichas ou cartões telefônicos. O autor não apenas imortaliza suas vivências de infância no interior de São Lourenço do Sul (RS), mas também preserva a história e a importância desses aparelhos que hoje estão sendo desativados pela ANATEL. O livro ainda presenteia o leitor com uma seção de fatos históricos curiosos sobre a evolução do telefone no Brasil e no mundo.

Narrativas bem-humoradas e cheias de cultura regional
O livro é um “refrigério nostálgico e bem-humorado”, que une as palavras do autor com as atentas ilustrações do artista Donga. Os contos exploram a cultura regional gaúcha e a simplicidade do interior através de personagens e situações cativantes, como o menino Oscarito que se torna o “guardião” do primeiro orelhão de sua região, a tensão em um bolicho durante as peleias políticas entre maragatos e ximangos, e a cômica teimosia de um agricultor acostumado à latrina que se recusa a usar um vaso sanitário moderno com descarga.

Um convite à desconexão e à reflexão
Em um mundo contemporâneo cada vez mais dominado por telas e informações aceleradas, o posfácio da obra propõe que a leitura deste livro seja encarada como um gesto quase revolucionário e uma forma de autocuidado. A obra convida o leitor a fugir do fluxo incessante dos estímulos digitais e a exercitar a paciência, a imaginação e a presença, oferecendo uma pausa necessária para desacelerar e habitar o tempo com mais tranquilidade.

11/06/26