
“Mais Garrida”, do escritor Paulo Pinto, narra a trajetória de Margarida, uma jovem dotada de inteligência precoce e uma espiritualidade que desperta fascínio e misticismo em sua comunidade rural.
Com publicação pela Pragmatha Editora, a trama se desenvolve entre a vida no vilarejo e a forte herança cultural da tribo indígena Aramaris, explorando a profunda conexão entre o ser humano e a natureza.
Por meio de diálogos com figuras anciãs e experiências cotidianas, a obra aborda temas como a diversidade étnica, o valor dos saberes ancestrais e os desafios da modernização. A narrativa também detalha o amadurecimento da protagonista, que transita entre as tradições locais e as exigências da educação formal na cidade. O texto reflete sobre a identidade brasileira, apresentando um mosaico social composto por influências indígenas, negras e europeias em um cenário de realismo memorialista.
Três motivos para ler “Mais garrida”, de Paulo Pinto
Riqueza cultural e diversidade étnica
A obra retrata de forma sensível o entrecruzamento cultural das raízes indígena, negra e branca europeia em um recôndito vilarejo brasileiro, priorizando a cultura indígena e explorando a relação entre os mais jovens e os mais velhos, exemplificada no convívio entre a protagonista Margarida e o velho Pajé Itagiba.
Protagonismo feminino e conexão com a natureza
O romance lança luz sobre figuras femininas determinantes para a história, ressaltando sobretudo a relação de simbiose entre o ser humano e o meio ambiente. A jornada de Margarida, desde uma menina cheia de dons até o momento de sua última missão de retorno à mata, ilustra perfeitamente essa harmonia e respeito pela natureza.
Reflexões sociais e críticas contemporâneas
Além de ser uma história ficcional rica em memórias que se conectam a dados reais, o livro promove reflexões profundas ao criticar a sociedade consumista, capitalista e devoradora do meio ambiente. O livro também levanta discussões interessantes sobre o embate entre o senso comum e o saber científico (especialmente a partir da instalação de uma universidade na região), além de destacar o poder de transformação que o jovem periférico pode exercer sobre a própria comunidade.
11/06/26