
O Clube de Leitura da ALADA – Academia de Letras e Artes de Alagoinhas, BA, realiza bimestralmente seu encontro online para análise e discussão literária. Recentemente, o grupo analisou o livro Fragmento de Versos, do escritor Paulo Pinto, da Pragmatha Editora. Confira a análise do membro Ed Carlos Alves de Santana, também autor da Pragmatha.
Reflexões sobre o livro Fragmentos de versos de Paulo Pinto
Paulo Pinto derrama-se em belas fotografias, poemas e poesias. Apresenta-nos um lirismo poético por meio de uma escrita de si carregada de amor, admiração, contemplação, crítica social-histórica e uma dolorosa introspecção de poeta que ama e sente as dores do mundo. Aqui “o poeta não é um fingidor” como quer Fernando Pessoa, aqui ele é verdadeiro até demais.
Em seu livro “Fragmentos de Versos” Paulo Pinto tem seu lugar de fala garantido, onde como ele expressa no poema A Chuva, p.18. “A memória flui em emoções diversas:
Ou memo em A Flor da Fêmea, p.19 onde ele (…) permite experiências de amor. Como não é de se estranhar, o escritor/Advogado em questão usa e abusa do poder das metáforas tornando-se como ele mesmo nos fala em AD VOGAR p.23 “Artesão da palavra/ Construtor de ideias e ideais.
Em sua escrita Paulo Pinto vale-se de um sensualismo erótico por vezes comedido, implícito e explicito ao mesmo tempo como podemos ver no texto Aura de Áurea, p.24: “Vi seu rosto no espelho. /Expressando a mais fina beleza(…) /Se mostrando ingenuamente fêmea.
Faz-se Caixeiro Viajante, p.26 onde ele afirma vender sonhos, utopia, ilusão (…). Ele brinca com clássicos da literatura à exemplo de O nome da Rosa de Umberto Eco: “O nome da Rosa tinha um eco que não aderia/Em mim. P.33.
Como se em uma escrita automática Surrealista ele brinca com a associações aleatórias de palavras em busca de uma expressividade poética, por intermédio de viagens do seu imaginário, por vezes a alcançando magistralmente. Isto é passível de ser visto no poema FRAGMENTOS D’ VERSOS, p.41: Faço versos em profusão/ Palavras … Frases…Verbos…Erupção… /Ainda assim é difícil vislumbrar coerência, /Coesão.
O vate tem na solidão seu momento de criação maior como é possível antevermos em no poema ESSES, p.35: “Para que se faça a necessária reflexão. /Como em eremitério… Momento de se estar e se sentir só.
Já no poema ÊXTASE, p.38 o literato Paulo admira-se com o mistério do amor em ato de consumação: (…), há um quê de mistério, de Lúdico, ilusão.
No poema FONTE, p.39, fala-nos Paulo de uma certa sede que consome o ser enquanto poeta e a busca por esta fonte para saciar-se: “Saciar a fome de amar, de amor/Que causa chaga na alma/Que fere a existência e alarga o sofrer do poeta”
Em sua poesia há um ser poeta que deseja, que sonha, que goza.
O poeta volta às origens do Brasil no seu escrito LUZ QUE RELUZ, p.45, onde evoca a face lusitana que paira sobre nós. Já em MÃE INCONDICIONAL, p.46 a mãe é trazida como uma grande fonte de amor e reconforto: “Mãos que trabalham, mãos de mãe. /Alimentam, educam, acariciam”
Paulo Pinto trata a temática da melhor idade/velhice de forma irônica, reflexiva, interrogativa, cheias de verdades, dor e humor, vide p.47.
Em MIRAGEM, p.50 Paulo Pinto, na condição de poeta que ver além das eras, leva-nos através de sua escrita a vislumbrarmos cenas de o pecado original: “Do mirante onde estou, / Vejo-a a nadar em EVA/ A se deliciar na relva/ Vejo amor.
A palavra, matéria-prima do escritor, conforme Paulo Pinto, p.53: “Formão do artífice poeta, que a lapida, /Que lhe dá forma, mesmo que disforme, na/Liberdade artística de criar/rimar.
O poeta por meio de uma poesia que convoca, conclama-nos a rebelar-se no texto: REBELE-SE, p.58: Rebele-se/O universo necessita de ação, inovação/Crie, faça o novo, o diferente/Edifique ilusões/Planeje emoções, /Fantasias…Aos turbilhoes.
O poeta sente-se nostálgico e melancólico, perceptível em SAUDADE, p.61: Distante, sozinho/Preso em si mesmo (…)
A solidão, esta fiel conselheira dos poetas, está bem presente em seu versejar, podemos encontrar no poema SOZINHO, p63: Triste, frustrante, lamentável/ É se descobrir sozinho em meio à multidão.
Para finalizar minhas reflexões acerca do livro em debate, tomo aqui de empréstimo uma expressão poética do próprio Paulo Pinto, sua poesia/poema leva-nos a “Um tempo para contemplar”.
Ed Carlos Alves de Santana – Natural de Alagoinhas/BA. É Doutorando Em Crítica Cultural na Linha 1: Literatura, Produção Cultural em Modos de Vida do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) –Alagoinhas-Bahia.
11/06/26