O escritor Adão Quevedo, em parceria com o Dedoecaedro Refúgio Literário, está publicando pela Pragmatha Editora o livro “Tempo – Olho invisível”. O prefácio é da editora, Sandra Veroneze. Confira.

Não me lembro dos pormenores de quando fui apresentada à poesia. Mas tenho muito claro o sentimento. Eu não gostei. Era atividade de colégio, eu estava numa fase esportiva e gostava muito de histórias com início, meio e fim. Os poemas me pareciam uma ideia incompleta, com um tanto de palavras combinadas apenas para produzir certa musicalidade.
E, então, algo aconteceu. A professora trouxe outros estilos de poema. Já não falavam mais de flores e amores, de saudade e felicidade, de coração e paixão. Começaram a falar de vida, de morte, de sentido, de dúvidas, de inquietações existenciais. Neste momento concluí precocemente que nos versos (e talvez na vida também), eu penderia menos ao romantismo e mais à filosofia.
Foi, portanto, com um certo brilho nos olhos que fiz a primeira leitura de “Tempo – Olho invisível”, do poeta Adão Quevedo. Sua temática é diversa, plural, própria de quem conserva a curiosidade como critério para contemplar a existência. Seus poemas falam de astros, andarilhos, de lembranças e sentimentalidades. E do tempo! Passeiam até mesmo pelo amor, cuja potência nos versos esta leitora voraz que vos fala só alcançou depois de se apaixonar, e de se magoar, doer, sofrer (amores infelizes fazem melhor literatura?)
“Tempo – Olho invisível”, portanto, é daquelas obras “para gostar de ler” poesia. São versos maduros, justos em sua métrica e profundidade. Um passeio pela subjetividade humana que se faz um misto de estranhamento e encanto embalado no tic tac dos ponteiros.
Desejo uma ótima leitura.
Sandra Veroneze
Pragmatha Editora
19/3/26