“Fragmentos do mundo, uma espécie de fotografia da existência”

O escritor Paulo Pinto está publicando, pela Pragmatha, seu mais novo livro de poemas, “Algumas linhas”. O prefácio é de Sandra Veroneze. Confira:

Lembro-me que na faculdade de jornalismo, lá nos idos finais da década de 90, um professor insistia na tese de que imagem também é texto. Ele desfilava argumentos curiosos sobre o ser humano ter se constituído pela linguagem, traduzindo em conceitos e palavras tudo que os olhos pudessem ver, significar e simbolizar.
Mais tarde, estudando mais a fundo neurociência e psicanálise, os professores convidavam ao caminho inverso: texto também é imagem, pois imagem é o idioma da nossa mente mais profunda. Quando lemos, por exemplo, são imagens que desfilam em nossa mente. Os sonhos, da mesma forma, são imagens, não textos.
Pois bem. Nem jornalistas, nem psicanalistas e tampouco os neurocientistas, por definição, são poetas. Senão saberiam que texto e imagem constituem, em última instância, poesia. Não apenas aquela poesia que se manifesta num jeito especial de ver o mundo, mas que também se expressa em versos. E é isso que nos mostram “Algumas linhas”, de Paulo Pinto, nesta obra literária que ora você, caro leitor, acessa.
Os poemas chegam sem alarde, como uma espécie de fotografia da existência. Desfilam por fragmentos do mundo, transformando percepções do cotidiano em reflexões, às vezes despretensiosas, às vezes com um toque de ambição, mas sempre verdadeiros.
Amor, saudade e cansaço do mundo são apenas alguns dos temas abordados, nos lembrando de que a natureza humana é vasta, contraditória, teimosa, bela, confusa. E pensar que tudo isso cabe em um verso!
Nesses tempos atribulados de comunicação instantânea, essa nova obra do Paulo é, portanto, um refrigério, um convite à pausa. Que cada página virada constitua um gentil lembrete de que a vida, aquela que inspira versos, é bela!
Boa leitura!

Sandra Veroneze
Pragmatha Editora

3/3/26