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Revivendo o Negrinho do Pastoreio - 16/01/2017
Gisa Scheffer é autora de Lume Negro, editado pela Pragmatha, que constitui uma homenagem a um clássico da literatura gaúcha: o Negrinho do Pastoreio. Nesta entrevista, a autora fala sobre seu processo de inspiração, a vivência literária e influência do tradicionalismo em seu labor artístico.

Sandra Veroneze / Editora Pragmatha: Você fez a leitura de um clássico da literatura gaúcha em seu livro. Como surgiu a ideia? Como você se inspirou?
Gisa Scheffer: A ideia surgiu quando eu estava estudando sobre diversidade cultural por eu já ter feito uma atividade durante os festejos farroupilha com a Lenda Negrinho do Pastoreio que foi bem aceita pelo público visitante de diferentes etnias, tribos, classes sociais, segmentos. Além de ter uma oportunidade de divulgar uma de nossas lendas gaúchas me surgiu o desejo de escrever sobre tema por observar tantas pessoas que são de bem e vivem ou seguem diferentes filosofias religiosas. A inspiração chegou por partes. Desde pequena sempre ouvi dos mais experientes e quis então escrever uma ficção com um toque de drama, romance, mistério e fé. Quis relatar alguns fatos de diferentes indivíduos que conviveram em uma mesma região em um tempo que fez parte da história de nossos antepassados e que não cabe mais nestes novos tempos, nestas novas épocas, buscando despertar a consciência para gerações sem preconceitos, respeitando as diferenças, à luz o bem do despertar da igualdade da humanidade.

Sandra Veroneze / Editora Pragmatha: Eu imagino que obras assim despertem bastante a curiosidade do público. Você chegou a ter medo de comparações?
Gisa Scheffer: Sim. No primeiro momento tive, mas como eu estava escrevendo uma ficção sobre a lenda abri asas para a imaginação e fui criando meus personagens fictícios, com algumas partes muito diferentes da lenda original, porém reais de história ouvidas. Criei sobre o tema, pois o foco principal foi a diversidade cultural. Tive receio sim de por momentos poder não estar somando com a cultura gaúcha, então busquei discretamente colocar dentro do Lume Negro alguns símbolos do nosso Estado do Rio Grande do Sul e falar sobre os sentimentos religiosos de cada personagem vivido em tempos passados. Não quis escrever como a lenda original com exclusividade de um único pensamento religioso, pois a Lenda Negrinho do Pastoreio é linda e rica espiritualmente para o despertar da fé, mas quando estamos escrevendo uma ficção ali podemos usar nossa inspiração e criação ouvindo o nosso próprio coração.

Sandra Veroneze / Editora Pragmatha: Como foi a receptividade do público leitor?
Gisa Scheffer: Bem aceito. Muito positivo. Agradou o público. Por ser o primeiro livro, os leitores que retornaram fizeram elogios e comentaram partes do livro. Uma leitora falou: ‘não sei em que parte da história eu estou; se te amo ou te odeio; você escreveu partes da história do meu povo e eu ainda não tive a coragem’. Com outra cheguei até a me assustar, positivamente falando, pois me procurou para conversar depois de ler o livro. Quando escrevemos com palavras simples o que muitos já ouviram tocamos no coração e incentivamos outros a terem uma meta, um objetivo de realizações de sonhos, pois eu, de família pobre, simples, tive a coragem de realizar um sonho, o de escrever um livro. Então outros também podem realizar.

Sandra Veroneze / Editora Pragmatha: A sua atuação no meio tradicionalista influencia diretamente a maneira como você desenvolve o projeto do livro?
Gisa Scheffer: Não. Minha influência foi uma busca pela igualdade e um progresso pessoal. Pelo apreço e respeito que tenho pelo tradicionalismo e nossas tradições gaúchas busquei somar para multiplicar um pouco das diferentes manifestações de fé de nosso povo. Sandra Veroneze / Editora Pragmatha: E para o futuro, quais os planos literários? Gisa Scheffer: Nossa tenho muitos. No tradicionalismo acredito que escreverei sobre as memórias do Piquete Laços de Sangue. Depois sobre minha vida e mais algumas biografias que fiz promessa de escrevê-las. São pessoas cujas histórias me comoveram, pelas suas experiências de amor, dor, fé, persistência, espiritualidade e muitas tradições do passado esquecidas.

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