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Negócios Intensivos em Conhecimento - 16/01/2017
Tiago Grandi é sócio fundador da GrandiGaray, especialista em Gestão de Projetos e autor dos livros ‘Se minha empresa falasse’ e ‘Manifesto contra a burrice’. Na Pragmatha, é coautor do livro Gestão pessoal para Produtividade e estará presente também na obra Gestão Pessoal e o Ciclo SPR – Sonhar, Planejar, Realizar, com lançamento neste ano. Nesta entrevista, fala sobre Negócios Intensivos em Conhecimento, um conceito novo no Brasil.

Sandra Veroneze / Pragmatha: Você tem falado bastante, nos últimos tempos, de ‘Gestão de Negócios Intensivos em Conhecimento’. É um conceito novo no Brasil, certo?
Tiago Grandi: Sim, em geral se está lidando com o paradigma errado para tratar desses negócios. Em outros países encontramos conteúdo próprio para este contexto desde os anos 60, ainda que com outra nomenclatura. A primeira menção ao termo "Negócios Intensivos em Conhecimento" remonta a um paper da Universidade de Manchester em 1995 e ganhou fama, talvez, a partir de uma publicação da OCDE, de 96, sobre a economia baseada em conhecimento. Hoje, países nórdicos, como a Suécia, estão na vanguarda das pesquisas sobre o tema. Sabe-se que as economias dos países ricos chegam a ter mais de 51% do PIB representado por negócios intensivos em conhecimento. Daí o advento de um setor "quaternário" (para diferenciar do setor terciário, de comércio e serviços) como querem alguns economistas, ou simplesmente de um setor de negócios intensivos em conhecimento. Para quem se interessa, recomendo o livro de Alvin Toffler, Revolutionary Wealth, em que o autor dá uma boa perspectiva sobre a economia pós-industrial.

Sandra Veroneze / Pragmatha: O que diferencia um Negócio Intensivo em Conhecimento de um Escritório de Prestação de Serviços?
Tiago Grandi: Todo escritório de serviços profissionais (professional services firm, em inglês) é um negócio intensivo em conhecimento. Advocacia, arquitetura, engenharia, consultoria, entre tantos outros, correspondem aos serviços intensivos em conhecimento mais "tradicionais", porquanto também há os mais "moderninhos" que são aqueles ligados à software, games, design, internet, fintech etc. normalmente denominados de serviços tecnológicos. Mas ambos, serviços profissionais e serviços tecnológicos, são negócios intensivos em conhecimento e podem ser caracterizados por três elementos. Primeiro, seus principais ativos são intangíveis; segundo, têm muita interação com o cliente; terceiro, as pessoas são inseparáveis do negócio. Daí a necessidade de um novo paradigma, adequado a esse contexto. Na GrandiGaray acrescentamos a estes três "Is" outros quatro, que correspondem ao conteúdo de gestão e à coordenação estratégica. No meu blog pode-se ler mais a respeito.

Sandra Veroneze / Pragmatha: De modo geral, escritórios profissionais estão muito melhor preparados nos aspectos técnicos do serviço prestado do que na sua própria gestão. Pensou-se, um tempo atrás, que com o advento da tecnologia para tudo haveria um software que tornaria tanto o planejamento como a execução mais rápidos, estratégicos, assertivos. O que deu errado nesse prognóstico?
Tiago Grandi: O que sempre dá errado quando se coloca o tecnológico antes do humano... Não importa o contexto, o ser humano sempre deve ter primazia. No âmbito dos negócios, costumo dizer, o software não substitui a inteligência, embora possa substituir a burrice. Isso significa que, caso você queira ter pessoas mecânicas e robóticas (logo, sem criatividade!) então o software pode, sim, ser um substituto. E, claro, em um negócio intensivos em conhecimento isso é "tiro no pé". Quanto à gestão, é um equívoco apoiar-se mais em ferramentas que em liderança. É como acontece na maioria das empresas ao fazer planejamento estratégico deslumbrados com uma ou outra metodologia. Eu pergunto: e os estrategistas, aonde estão? Aliás, com verdadeiros estrategistas, os métodos tornam-se secundários. Já sem estrategistas, você pode utilizar o mais sofisticado método, com o mais caro dos softwares, e o resultado será parco.

Sandra Veroneze / Pragmatha: No seu trabalho, como consultor, quais os maiores desafios junto aos empreendedores, diante dos novos conceitos de administração de negócios?
Tiago Grandi: Ultimamente tenho trabalhado exclusivamente com sócios de escritórios de serviços intensivos em conhecimento, e para este público, o maior desafio é que usualmente não gostam de gestão. Gostam de advogar, de fazer projetos, de atender clientes, de criar um novo serviço, de inovar soluções etc. Assim, precisamos ajudá-los a combinar seu tempo e atenção, pois como sócios terão de se dedicar também à estratégia do negócio, não tem jeito. Uma das grandes satisfações é quando vejo que, com a consultoria, mudam essa atitude e passam a curtir o assunto, pois com maior domínio do negócio tornam-se entusiasmados com o crescimento do escritório.

Sandra Veroneze / Pragmatha: Você é um grande apreciador e tem um trabalho consistente como voluntário na área de filosofia. Como esse conhecimento milenar, às vezes tão preconceituado como ‘não prático’ influencia e o auxilia no seu trabalho de atendimento aos clientes?
Tiago Grandi: Filosofia é busca da sabedoria, não vejo como alguém pode aprender alguma coisa só parado e pensando. Esse estereótipo do filósofo intelectual e passivo começa na modernidade (vide a escultura de Rodin, O Pensador). Estudo e atuo como voluntário numa escola de filosofia à maneira clássica, aonde o exercício filosófico permeia tudo o que fazemos no cotidiano. Assim, a dimensão profissional nada mais é que uma expressão dessa busca por ser um indivíduo melhor, mais moral, mais fraternal, mais generoso, enfim, mais valoroso.

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